Record

Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Caminhando alegremente rumo à Liga Panda

A seleção nacional jogou e ganhou na Polónia com a naturalidade das coisas naturais. São maravilhosamente jovens muitos dos nossos jogadores mas dão conta do recado como gente crescida. Na realidade, dão boa conta de todos os recados. Bernardo Silva, por exemplo, antes do jogo com os polacos enviou a Leonardo Jardim palavras de estima por ocasião do despedimento do homem com quem trabalhou e com quem foi campeão de França no Mónaco. De seguida equipou-se, subiu ao relvado e foi o melhor em Chorzow. Quando acabou o jogo, Bernardo Silva agradeceu os elogios e explicou o que se tinha passado em campo numa frase curta: "trata-se de uma seleção nova com uma forma diferente de jogar." Gente crescida.

Os trabalhos das seleções europeias e sul-americanas levaram do Seixal um forte contingente de jogadores do Benfica. É bom sinal. Rui Vitória continuará, assim, a gozar o estatuto de líder por mais 15 dias até o campeonato regressar e, enquanto não regressa, segue o treinador do Benfica trabalhando com os disponíveis. Nestas circunstâncias tão pouco invulgares é frequente recorrer a jogadores do escalão abaixo para suprir ausências e completar o elenco necessário para a função. E foi isso mesmo que Rui Vitória fez chamando Rodrigo Conceição para se juntar ao treino do remanescente da equipa sénior nesta última quinta-feira. Rodrigo é filho de Sérgio Conceição, o treinador do FC Porto.

A propósito, um bom nome para o campeonato português seria Liga Panda. Sim, Liga Panda. Os seus responsáveis estão a fazer por isso. Depois do castigo aplicado a uma mascote por ocupação de uma área reservada a não-mascotes surgiu agora a notícia de uma multa ao Portimonense por delito artístico do corte da relva. Regressemos rapidamente ao Estádio da Luz.

O próximo jogo oficial levará o Benfica até à Sertã para discutir com o Sertanense uma eliminatória precoce da Taça de Portugal. Por todas as razões, a equipa a apresentar na Beira Baixa vai ser muito diferente da equipa que venceu tangencialmente o clássico no domingo passado com um golo suíço festejado exuberantemente à moda latina. O facto de Rui Vitória ter chamado aos trabalhos o filho do treinador do FC Porto não significa que Rodrigo Conceição se vá estrear na equipa principal na Sertã. Nada garante que tal venha a suceder. O que garantidamente não pode deixar de ocorrer é um vago, vaguíssimo mal-estar no Dragão e nos dragões provocado pela notícia e pelas imagens de Conceição Júnior esforçando-se sorridentemente ao lado de campeões como Jonas e Samaris e logo na semana em que o FC Porto perdeu com o Benfica na Luz e "a culpa não foi do árbitro" tal como disse, com toda a propriedade, Conceição pai. Se Rui Vitória fosse um sujeito maquiavélico chamava todas as semanas Rodrigo Conceição. Mas não é.
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