Record

Qual é o papel da nutrição na depressão?

Depois do fim de semana escuro e chuvoso que tivemos, tornou-se imprescindível falar sobre este tema…. Será que já ouviu falar de depressão sazonal? A verdade é que a ocorrência de dias mais curtos e a consequente falta de luminosidade são alguns dos principais motivos que influenciam a alteração de humor e o seu surgimento. Durante este quadro, acontecem episódios depressivos associados a uma estação do ano, especialmente no outono e inverno. E a questão é que afeta muita gente, mas principalmente, mulheres depois dos 25 anos.

O nosso humor é influenciado por hormonas como a melatonina e a serotonina (que é capaz de dar sensação de bem-estar, regulando nosso humor e também dando sensação de "saciedade"), substâncias produzidas pelo nosso organismo e que estão relacionadas com níveis de depressão. Como a libertação cerebral dessas substâncias está condicionada pela existência de luz solar, no inverno existe uma alteração da sua produção. É por isso que os principais sintomas da depressão sazonal são as alterações no humor e no padrão do sono. Além deste tipo de depressão, outros problemas relacionados com alterações hormonais, como o etilismo, os transtornos de ansiedade e a bulimia, por exemplo, também pioram no inverno.

Claro que depois desta introdução que vos dei, tinha que falar do tipo de alimentação que está associada à prevenção da depressão sazonal e não só. Até há alguns anos, seria impensável associar a nutrição a esta situação, mas desde 2009 uma linha de investigação descreve uma associação muito significativa entre a alimentação e o aparecimento da depressão e, desde aí, reconhece-se uma escala de nutrientes cruciais na prevenção e no combate ao distúrbio.

Alimentação associada à prevenção da depressão sazonal: os alimentos

Assim, alimentos ricos em ómega-3, magnésio, fibras, zinco, ferro, além das vitaminas C, B1, B9 e B12 devem ser as principais escolhas na nossa alimentação para tentar evitar o já chamado mal do século – a cada ano, 100 milhões de pessoas desenvolvem sintomas evidentes da doença. Recomenda-se, então, a adoção de uma dieta rica em folhas verdes, oleaginosas e peixes, sendo importante referir que, em alguns estudos, a alimentação adequada reduziu em 50% o risco de depressão.

O que é facto é que os erros alimentares que fazemos no nosso dia a dia têm como algumas das tristes consequências a menor oferta de neurotransmissores e falhas na comunicação entre os neurónios. São alterações que aumentam a probabilidade de enfrentar desordens mentais, como a própria depressão.

O padrão alimentar que se sobressai contra essas alterações é a dieta mediterrânica, rica em peixe, nozes, cereais, grãos integrais, vegetais em geral e azeite.

O objetivo de uma dieta equilibrada é evitar o processo inflamatório, pois nesse estado é mais difícil estimular a formação de novos neurónios que potenciaria situações depressivas.

Certos nutrientes são especialmente importantes para a saúde do cérebro. O ómega-3 é muito importante porque a membrana dos neurónios é formada por ácidos gordos. Numa alimentação rica em ómega 3, a comunicação entre neurónios é mais fluida e mais facilitada. Algumas pesquisas até sugerem que, em casos graves de depressão, a suplementação dessa gordura seria bem-vinda.

Também está claro que a deficiência de vitamina B12, encontrada em carnes, e de ácido fólico, presente em frutas e verduras, está ligada a manifestações depressivas.

Os hidratos de carbono também são fundamentais à saúde do cérebro porque têm como produto final a glicose, que fornece energia para o cérebro funcionar. Por isso, dietas muito restritivas causam muito stress ao organismo. As melhores opções são frutas, oleaginosas, grãos e cereais integrais.

Mas a grande questão é que o papel da comida pode não só ser preventivo, mas também pode ser potenciador de depressão!

Dietas que potenciam a depressão

Dietas que potenciam a depressão, com elevado consumo de açúcar, sal, alimentos refinados e gordura saturada contribuem para o surgimento de sintomas depressivos. Uma dieta com características inflamatórias é tão nociva que as consequências parecem ultrapassar gerações.

Por este motivo, ao longo da semana falar de alguns alimentos que, quando consumidos nas quantidades adequadas, vos podem ajudar a passar este inverno mais bem-dispostos. 

Até para a semana.

Fonte: Depression: let´s talk - Nutrição e Depressão, Conceição Calhau

Food and Depression, Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação, Universidade do Porto

Para mais informações ou esclarecimentos, contacte: inesfilipamorais@gmail.com

Por Inês Morais
Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Nutrição

Notícias

Notícias Mais Vistas