Julgamento de Rui Pinto: Sporting 'espiado' em permanência durante dois meses

A decorrer no Campus de Justiça, em Lisboa

• Foto: Pedro Simões

17h37 - Está terminada a sessão desta quarta-feira. Amanhã o inspetor José Miguel Amador volta a testemunhar, pelo quarto dia.


Após o coffee break da parte da tarde, a procuradora quis saber como a Polícia Judiciária lidou com invasão à PGR, tendo o inspetor José Miguel Amador respondido: "A evolução foi muito parecida com o caso da FPF, ou seja, ninguém fazia ideia o que se estava a passar. Foi a Polícia Judiciárua quem avisou que estavam a ser alvos de acessos ilegítimos. As credencias do dr. Amadeu Guerra terão sido uma das portas de entrada do ataque à PGR.", referiu.

16h19 - O inspetor abordou o ataque à Federação Portuguesa de Futebol. "Detetámos que havia acessos ilegítimos, ou seja, não foi a FPF a queixar-se mas nós é que os alertámos para a situação. Chamámos o presidente Fernando Gomes, avisámos, eles não sabiam de nada."

O inspetor confirmou também que muitos documentos retirados da FPF tinham estiveram depois no Football LeaksL, como foram os casos de acórdãos, processos disciplinares, etc. "A conclusão é que existem entidades importante, que eu não referi quais são, que são 'parentes' muito próximos da FPF."

O Ministério Público quis saber como tinha sido a entrada na FPF. "Foi através das credenciais do sr João Rocha, um engenheiro próximo do conselho de arbitragem, e que não tinha a noção que tinha sido pirateado. As credenciais foram conseguidas por 'phishing'."

13h06 - A sessão foi interrompida para almoço.

13h02 - A procuradora pediu ao inspetor para ler a primeira publicação do Football Leaks, em que o autor dizia que "o mundo do futebol está podre" e "nos próximos meses vou divulgar vários documentos" No final dizia "aceito donativos" porque "deu muito trabalho para conseguir tudo isto".

O Ministério Público pediu ao inspetor para confirmar alguns dos documentos foram expostos no blogue Football Leaks e foi mostrando alguns. O primeiro que apareceu no monitor do tribunal dizia respeito à cedência do Bruma ao Galatasaray. Rui Pinto pediu ao seu advogado para que descessem o documento no monitor e só aí se percebeu que tinham aberto o documento errado.

Abriram outro, tratava-se da proposta que o Sporting oferecia a Mitroglu.

Abriu-se também a proposta que o Sporting fez a Danilo, que acabou por ir para o FC Porto; o contrato de Carrillo com o Sporting e de Labyad, através da Doyen. O inspetor confirmou que todos estes documentos foram expostos no Football Leaks.

O Ministério Público perguntou como é que o arguido teve acesso ao sistema do Sporting, se foi através de 'phishing'. "Não temos a certeza se foi 'phishing', mas a verdade é que as credenciais do sistema eram relativamente fáceis de aceder, pois eram sequenciais. Por exemplo, tinha o nome da pessoa, seguido de 123", explicou o inspetor da PJ.

Em relação à Doyen, o inspetor diz que o acesso foi através de uma campanha de 'phishing' para o email de Nélio Lucas. "Foi enviado um email, alegadamente de Antero Henrique, com uma partilha de informações. Para aceder a esse email o sr Nélio Lucas tinha de escrever a sua password, que ficou gravada a partir daí, contou. "Foi feito outro acesso ilegítimo a outro funcionário da Doyen e mais uma entrada ilegítima através do IP da Hungria."

Mais tarde começaram emails diretos para Nélio Lucas "com ameaças". "Tenho vários documentos vossos que não sendo ilícitos penso que não convém à Doyen que sejam divulgados. Estou disponível para parar as publicações", recordou inspetor, citando as mensagens. "Como não houve acordo, a divulgação dos documentos aumentou." 

Foram também revelados documentos da Doyen relativos ao contrato de Ola John com o Benfica, de Darfur com o FC Porto e dos pagamentos que o FC Porto fez ao Marselha para a compra de Imbula.

11h00 - O inspetor foi questionado pela procuradora sobre o alegado ataque de Rui Pinto às contas de email do Sporting. O pirata informático terá começado por alguns funcionários, até chegar aos dirigentes, incluindo Bruno de Carvalho, então presidente dos leões. 

Um dos IPs que o hacker terá utilizado chegou a estar dois meses - entre julho e setembro de 2015 - ligado em permanência ao servidor de correio do Sporting.

Em setembro, explica o inspetor, o Sporting barrou a ligação do IP com origem na Hungria, mas nesse dia continuaram a invadir o sistema dos leões com outro IP. Só conseguiram parar tudo quando barraram todos os servidores sediados na Hungria.

8h32 - O inspetor da Polícia Judiciária, José Miguel Amador, vai continuar a prestar depoimento na sessão de hoje.

- Recorde aqui tudo o que aconteceu ontem, na quinta sessão.

- Rui Pinto arrolou 45 testemunhas, entre as quais o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho, o treinador do Benfica, Jorge Jesus, a ex-eurodeputada Ana Gomes, o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, e Edward Snowden, que em 2013 denunciou informações confidenciais e programas ilegais de espionagem dos Estados Unidos.

- O arguido, que também é responsável pelo processo Luanda Leaks, está em liberdade desde 7 de agosto, por decisão da presidente do coletivo de juízes responsável pelo julgamento, Margarida Alves, encontrando-se inserido no programa de proteção de testemunhas, em local não revelado e sob proteção policial.

- Rui Pinto, de 31 anos, assumiu ser o criador do Football Leaks e, sob o pseudónimo 'John', ter divulgado informações que terá obtido de forma ilícita a partir de Budapeste, onde foi detido em 16 de janeiro de 2019.

- Rui Pinto, criador da plataforma eletrónica Football Leaks, através da qual divulgou milhares de documentos confidenciais do mundo do futebol e alegados esquemas de evasão fiscal cometidos em diversos países, é acusado de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda pelos crimes de sabotagem informática à SAD do Sporting e tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen, pelos quais começa a responder no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

- Bom dia, vamos acompanhar a sexta sessão do julgamento de Rui Pinto, que decorre no Campus de Justiça, em Lisboa.

Por Miguel Amaro
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