Frederico Morais: «Ser uma inspiração enche-me o coração»

Surfista vai marcar presença em Tóquio'2020

RECORD - Puxando a cassete atrás… Aos 7 anos escreveu uma carta para a revista ‘Surf Portugal’ a dizer ‘Olá, eu sou o Frederico e ainda vão falar muito de mim’. Excesso de confiança ou um miúdo já ciente das suas capacidades?

FREDERICO MORAIS – Nem um nem outro [risos]. É uma criança com grandes sonhos e não há nada melhor do que isso. Não há crianças com excesso de confiança, há crianças com sonhos muito grandes. À medida que crescemos, cabe-nos saber se queremos alcançar esses sonhos e como vamos lá chegar.

R - Quando começou a surfar?

FM – Comecei a surfar por volta dos 5 anos, numa prancha de bodyboard. Foi a primeira vez que me pus em pé numas férias de família em Vilamoura. No regresso a casa pedi ao pai uma prancha de surf. Na altura não era comum, não havia muitos miúdos a fazer surf. O meu pai arranjou uma prancha, um fato e umas barbatanas e vinha comigo para dentro de água. Era pequeno e não conseguia apanhar as ondas sozinho. Ele levava-me até ao outsider, empurrava-me nas ondas e vinha-me buscar à areia. Foi o meu treinador até aos 17 anos. Tive muita sorte, porque tanto a minha mãe como o meu pai e a minha irmã foram grandes apoiantes da minha carreira e fizeram esforços enormes. Não podia estar mais agradecido.

R - Quanto é que a brincadeira começou a ficar séria?

FM – Toda a minha família é supercompetitiva e virada para o desporto profissional. Desde muito cedo que fui muito competitivo, gostava de ganhar e dos desafios. O bichinho estava lá. Quando tinha 14 anos sagrei-me campeão nacional de sub-21 e começámos a olhar para isto de outra forma e apostámos muito nesta carreira do surf, que era o meu sonho. Felizmente deu resultado.

R - Começou a viajar desde muito novo. Como era ir para o Havai e Austrália com 11 anos?

FM – Eram as nossas viagens de família. As férias que havia eram viradas para eu surfar e poder evoluir como surfista em destinos com boas ondas. Aos 10 anos fiz a minha primeira viagem sozinho com um fotógrafo que é o Carlos Pinto, que é um segundo pai para mim.

R - Chorou?

FM – Não. Estava bem acompanhado e a fazer aquilo que eu gostava. Senti a falta de casa, mas vou-me habituando.

R - Foram viagens com o dinheiro dos pais ou patrocínios?

FM – Na altura já tinha alguns patrocínios. Os contratos juniores são baseados em viagens e ajuda com treinadores. É isso que as marcas promovem bastante, ou seja, a nossa evolução como surfistas e como pessoas. Dão-nos viagens com a marca, com outros atletas, dão-nos acesso a treinadores que não temos em Portugal.

R - Que sacrifícios teve de fazer?

FM – A minha juventude não foi a mesma dos outros miúdos. Tive de abdicar de muita coisa, mas ao fim do dia não mudaria nada. É o meu sonho, adoro aquilo que faço e tenho a carreira que eu quero. Começo a ser uma inspiração para os mais jovens, e isso enche-me o coração.

R - O que tenciona fazer quando terminar a carreira?

FM – Ainda não tenho nada planeado. Espero ainda ter muitos anos de carreira. Ainda tenho muito para dar. Não é um pensamento que esteja na minha cabeça.

Por Rafael Godinho
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